segunda-feira, 25 de abril de 2011

Oxi já chegou à cracolândia do Centro de São Paulo Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/04/16/oxi-ja-chegou-cracolandia-do-centro-de-sao-paulo-924261553.asp#ixzz1KZyaMj1T © 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

SÃO PAULO - X., de 14 anos, encosta num poste para se segurar em pé. Tem um cachimbo preso ao elástico da bermuda, está descalço, sujo e mal consegue balbuciar algumas palavras. Duas horas depois, um pouco mais composto, aborda um casal de senhores e pede dinheiro. Ganha um pacote de biscoito, mas não o abre. Usa o produto como escambo para ter direito a um trago do que ele nem sabe mais o que é. X. já ouviu falar do oxi, mas acredita que está viciado em crack. Ele não sabe a diferença, assim como os mais de 400 viciados que perambulam dia e noite pelas ruas quase abandonadas da cracolândia de São Paulo, na região central da cidade, uma das áreas onde a nova e devastadora droga pode estar sendo consumida sem que os usuários tenham a menor consciência disso.
VÍDEO: Nova droga circula entre usuários de crack no centro da capital paulista
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O maior indício de que a droga já está circulando em São Paulo é o preço com que as supostas pedras de crack estão sendo vendidas ali. Aos berros, os traficantes oferecem o "crack" por R$ 2. No mercado do tráfico, porém, sabe-se que o preço dessa pedra é "tabelado" em R$ 10. Em dias de promoção, numa estratégia para arregimentar novos viciados, o valor pode cair um pouco, e chega a R$ 8. Abaixo desse valor, o que está chegando nas mãos do viciado muito provavelmente é o oxi.
- Essa pedra que eles vendem por R$ 2 não é crack. Já estamos ouvindo sobre esse oxi há muito tempo. Como é mais barato, provavelmente é o que já está circulando por aqui. Só que essas pessoas estão num estágio em que não têm condições psicológicas de diferenciar nada - diz um comerciante que $na região há 11 anos.

http://oglobo.globo.com/pais/video/2011/23026/

Cracolândia - Profissão Reporter

CRACOLÂNDIA

Cracolândia (por derivação de crack) é uma denominação popular para uma região no centro da cidade de São Paulo, nas imediações avenidas Duque de Caxias, Ipiranga, Rio Branco, Cásper Líbero e a rua Mauá, onde historicamente se desenvolveu intenso tráfico de drogas e meretrício. [1]
Recentemente, a Prefeitura de São Paulo lançou um programa denominado Nova Luz para promover a reconfiguração e requalificação da área. Entre as medidas propostas, destaca-se a renúncia fiscal referente ao IPTU, visando estimular a reformas de fachadas dos imóveis de valor venal inferior a R$ 300 mil. [2]
Desde 2005, a prefeitura fechou bares e hotéis ligados ao tráfico de drogas e à prostituição, retirou moradores de rua e aumentou o policiamento para inibir o consumo de drogas no local. Centenas de imóveis foram declarados de utilidade pública, em uma área de 105 mil metros quadrados, e estão sendo desapropriados. O objetivo do programa é tornar a área atrativa a investimentos privados, abrindo espaços para empresas do setor imobiliário.
Críticos do programa, no entanto, assinalam o seu caráter higienista, destacando que a recuperação de edifícios, praças, parques e avenidas não é acompanhada de ações voltadas aos grupos mais vulneráveis que vivem ou trabalham na área - que estão sendo sumariamente expulsos. Os sem-teto são retirados, o trabalho dos catadores de material reciclável é dificultado e os usuários e dependentes de crack (muitos dos quais crianças e adolescentes), impedidos de se reunir no local, são obrigados a perambular pelos bairros vizinhos, em bandos, sem rumo. 

Durante o final da década de 1960, com o surgimento do chamado cinema marginal, houve um crescente desenvolvimento da atividade cinematográfica nesta região da cidade. Diversas produtoras e alguns cinemas lá surgiram nesta época.
A Boca do Lixo pode ser considerada o berço do cinema marginal, de diretores como Rogério Sganzerla, Ozualdo Candeias e Júlio Bressane, entre outros. Os filmes marginais, ligados à Boca, eram sempre permeados de muita sexualidade e escracho. Durante a década de 1980, essa produção intensificou o teor sexual e entrou no período que ficou conhecido como a fase da pornochanchada. A Boca foi responsável por mais de 700 títulos nesta época. [4] [5]

Referências

  1. ↑ Carta Maior, 31 de maio de 2009. Cracolândia: Ensaio sobre a barbárie, por Eduardo Zidin.
  2. ↑ Folha Online, 31 de maio de 2007. Estabelecimento que reformar fachada terá isenção de IPTU, confirma Kassab, por Renato Santiago.
  3. ↑ Carta Maior, 24 de janeiro de 2006 Direito à cidade: Movimentos reagem à política de limpeza social no centro de SP, por Fernanda Sucupira.
  4. ↑ Jornal O Debate 9 a 16 de fevereiro de 2007. Morre Ozualdo Candeias, o papa do cinema marginal,por Carlos Juliano Barros e Laura Lopes.
  5. ↑ Repórter Brasil, 2004. A Boca do Lixo ainda respira

Ver também

Ligações externas